A Cor da Romã: O Filme Que Parece um Poema Visual e Foi Censurado
- Vespeiro
- 19 de mar.
- 2 min de leitura
Uma obra cinematográfica que parece mais um poema visual do que um filme tradicional, e que, justamente por isso, causou confusão e até censura na época de seu lançamento.
Estamos falando de A Cor da Romã, dirigido pelo cineasta soviético-armênio Sergei Parajanov. O filme é uma daquelas obras estranhas, belas e profundamente simbólicas que marcaram a história do cinema e que convidam à análise, reflexão e interpretação.

Um Filme Que Foge do Padrão
Diferente de praticamente tudo o que estamos acostumados a ver, A Cor da Romã não conta uma história de forma direta. Em vez disso, constrói sua narrativa por meio de imagens simbólicas, cenários teatrais e composições visuais que lembram verdadeiros quadros vivos.
O filme retrata a vida do poeta armênio Sayat-Nova, que viveu no século XVIII. Acompanhamos sua trajetória desde a infância, passando por sua fase como tecelão e menestrel da corte, até sua vida religiosa como monge.
Mas não espere diálogos explicativos ou uma narrativa convencional.
Cada cena funciona como um símbolo: romãs abertas
livros molhados, tecidos vermelhos e rituais religiosos. Tudo carrega significados ligados à vida, morte, espiritualidade e arte.
Um Filme Que Divide Opiniões
Muitas pessoas assistem e ficam completamente confusas. Outras descrevem a experiência como assistir a um sonho ou folhear um livro de poesia visual.
E talvez essa seja exatamente a proposta: provocar sensações em vez de entregar respostas prontas.

Censura e Reconhecimento
Na época de seu lançamento, o filme foi considerado tão fora dos padrões que acabou sendo censurado na União Soviética.
O motivo? Ele ia contra o estilo artístico oficial da época, o Realismo Socialista, sendo visto como uma forma de rebeldia estética.
Com o passar dos anos, no entanto, a obra ganhou reconhecimento e hoje é considerada um clássico cult, estudado em escolas de cinema ao redor do mundo.
Influência na Cultura Pop
A estética do filme ultrapassou o tempo e influenciou artistas contemporâneos. A cantora Lady Gaga, por exemplo, se inspirou diretamente na obra para criar o clipe da música 911.
O vídeo incorpora o visual surrealista e poético do filme para abordar temas como saúde mental, trauma e sonhos, recriando elementos icônicos com romãs, penas de pavão e vestimentas religiosas e folclóricas

Uma Experiência Cinematográfica
Longe de interpretações literais, a ousadia de Sergei Parajanov nos leva a refletir sobre novas formas de narrativa não lineares, sensoriais e provocativas.
A Cor da Romã não é um filme comum. É uma experiência.
Se você decidir assistir, vale a pena voltar depois e refletir: o que esse filme fez você sentir?



